Quando o torpor chegar
avisem que fui dar uma volta
abrir um livro
gritar lá fora
descrever o grito
numa poesia qualquer.
Quando o torpor chegar
e minhas costas arderem
avisem que quero braços abertos
e um ombro tanto abraço
com os tantos braços de um carinho
e o calor de um beijo
salgado às lágrimas
do peito aberto...
...e estaremos vivos.
Quando o torpor chegar...
avisem que não quero mais...
aquela gente sã e covarde
quero os loucos
os sem-razão
as locomotivas
que maquinam as engrenagens
peito e braço
batendo forte
tum-tum-tum-tum-tum
quero o grito.
Quando o torpor chegar
o grito que assuste
o torpor de cada dia
queimando as raízes
profundas
onde corre a água
e lodo vira.
Quando o torpor chegar
quero estar preparado
munido de ombros fortes
para ambos os fardos.
Expirando, manifesto
cada ato.
Sensibilidade, conhecimento
E sabedoria, de fato.
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