quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


"Os únicos presentes do mar são golpes duros,
e às vezes a chance de sentir-se forte.
Não compreendo muito o mar,
mas sei que as coisas são assim por aqui.
E também sei como é importante na vida
não necessariamente ser forte,
mas sentir-se forte.
Confrontar-se ao menos uma vez.
Achar-se ao menos uma vez na maior condição humana.
Enfrentar a pedra surda e cega a sós,
sem outra ajuda além das mãos e da cabeça."

quarta-feira, 12 de outubro de 2011


...mas se, indiferente à fortuna, aos prazeres, à ingratidão; e sabendo que te verás, muitas vezes só, entre feras humanas, ainda tens a alma estóica o bastante para encontrar satisfação no dever cumprido, se te julgas bem pago com a palavra de uma mãe, com um rosto que sorri porque já não sofre, com a paz de um moribundo a quem ocultas a chegada da morte; se desejas conhecer o homem, penetrar em toda a tragédia do seu destino, faz-te médico, meu filho.

domingo, 21 de agosto de 2011


 Enquanto pairo no ar
menina bonita,
só para te olhar...
Assim tão flor
por assim só ser
tão só,
por tão pouco caso fazer
do sol à tua frente.

Quem sou?
Apenas asas.
Em azul-verde
cor em ar, suspenso.
Beijo flores.
E tu, és girassol errante
que ao sol, prefere a chuva.
E beija-flores, meu bem
não voam na chuva.
Mas eu amo a água
e de ti, o doce;
 puro e simples.

Asas pesadas, vôo lento
é o tempo para o sol sair.
Vai a chuva, fica o vento
que te sopra, recua e pára.
Vôo leve, páro no ar
peito aberto, secas asas
batendo em rima,
igual frequência.
É música, flor
que gira, sol
é manhã.
Sorriso, luz
e te beijo.

É completo, meu caminho
me despeço,
de peito leve
e vôo livre...
pelo ar
   pelo ar...
 

segunda-feira, 27 de junho de 2011


I wanna shake, i wanna wind out
I wanna leave this mind and shout
I've lived all this life
Like an ocean in disguise
I don't live forever
You can't keep me here...
I wanna race with the sundown
I want a last breath that i don't let out
Forgive every being
The bad feelings, it's just me
I won't wait for answers
You can't keep me here...
I wanna rise and say a-goodnight
I wanna take a look on the other side
I've lived all these lives
It's been wonderful at night
I will live forever
You can't keep me here...

Eddie Vedder - Can´t Keep

domingo, 19 de junho de 2011



Enquanto dois sóis estiverem 
girando sem forma no ar,
em oito que nasce nublado
de traços errantes, à vista 
do amor, de quem vê
por trás de nuvem passageira
que vai passar...
que vai passar...

Assim é a vida
e sua eterna busca
de buscar.
Por um suspiro, por um fim
por um tão só sentir
o dia, que está para acabar.

Assim são os dóis sóis 
e a nuvem que agora passa
 frente aos meus olhos, 
a perseguirem o caminho
tão só de um sol,
de todo dia cair no rio da vida
e lá, escolher descansar.

Pois é noite,
e ele diz para os poucos
que ainda insistem em lhe procurar:
...amigos, o dia se foi
mas até o fim pode inspirar.
Eu sou círculo, começo 
recomeço.
Sou luz, 
para o teu sorriso
e é ele
tão somente, ele
que amanhã quero encontrar.

Colonia do Sacramento - Uruguai
15/09/10

quarta-feira, 6 de abril de 2011



Todo pai é arco
todo filho é flecha
ligados em simples fato
de um ao outro
serem espíritos confiados.
Companhia por uma viagem
na qual, ao arco
cabe a flecha lançar.

Para cortar o vento
cortar as folhas
cortar as chuvas,
e as curvas
que por toda a vida
a flecha insiste em dar.

E cabe ao arqueiro, a luz.
Divina luz,
de dar ao arco a precisão
que só esmero, amor e paz
podem proporcionar.

Para que a flecha voe,
livre por correto caminho.
Ainda que esteja 
tão longe do arco
mas sempre ao alcance
dos olhos do arqueiro.

A agradecer,
mesmo que tão distante
em livre e belo vôo
por vencer o vento, as folhas, as chuvas.
Seguindo em frente, direito, direto.

Por seu próprio caminho,
criando vida por si só.

segunda-feira, 21 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011



queria eu viver
só de arte
das notas palavras
o símbolo o som
em tanto sol
da terra a grama o vento
a parte.
a foto
o vinho o trago
irmãos de sangue
e suor
do meu corpo
untado ao copo
que é o corpo
teu.
queria eu
viver
só de fazer parte
de teu sorriso belo
a chamar também de meu
mas nunca realmente
só meu.
queria eu
viver
e reclamo
aos céus, cumprimento
a água que cai
das folhas
      ...em poesia
que se escuta.
música música
música...
da natureza
a quem me junto
de onde nada mais sou
do que simples
espírito.
que culpa tenho
que culpa
tenho.
.eu?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sinto sozinho
amando o sono
e sinto o vento
entrar no apartamento...

O conforto nos meus pés
e a cadeira no embalo
procuro um jeito triste
de por tudo não saber...

A minha casa é minha
e de tudo que couber
e agradeço sempre
aos céus por viver...

Queria um vinho ou um trago
e um cigarro
saboreando a sorte
aos poucos fenecer...

Mas eu vivo
e amo tudo
esposa e filhos
e o mundo

Mas eu sinto
uma saudade
de um tempo
sem idade...

myspace.com/daclima

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

energia.
é ela
e que só dela
se move
o espetáculo
da terra
que dela tira
e gira
em seu sustento
ao seu redor.
por um sorriso
por uma verdade
e que ela
só ela
sabe falar.
energia.
é ela
a arte de ser sincera
antes mesmo
de se contar.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A bula

Para ti, escrevo a primeira poesia
poderia declarar amor
e colocar acima de nós, homens
o valor que tens e guarda.
Mas faço isso
pelos próprios homens.
Faço isso pelo mundo.
Simples, ofereço-te meus braços
e abraço o irmão que chora.
Não quero aquela singela flor
que a ciência carrega
mas não aplica.
Como a droga preparada
sem nenhum efeito
para nenhum efeito.
Quero a droga humana
a batalha humana.
Não mais decorar bulas
e apresentar métodos.
Não mais ver nos olhos
o desespero das páginas,
a não compreensão das palavras.
Pois nada mais somos
que pequenos,
ingênuos de nossa grandeza, em conjunto.
Quero antes o coração,
para então desenvolver a técnica.
Medicina.

Recife, fevereiro de 2006.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Ali
se
e só se
estivesse
tão puro
no desejo
tão só
e só se
sozinha.
Tão só
assim
e sim flor
fechada
com medo,
da chuva
que cai.
Só se
ali se sentisse
um tão pouco
assim
de amor.
Por alguém
que não
ali
se
estivesse.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Quando o torpor chegar
avisem que fui dar uma volta
abrir um livro
gritar lá fora
descrever o grito
numa poesia qualquer. 
Quando o torpor chegar
e minhas costas arderem
avisem que quero braços abertos
e um ombro tanto abraço
com os tantos braços de um carinho
e o calor de um beijo
salgado às lágrimas 
do peito aberto...
...e estaremos vivos.
Quando o torpor chegar...
avisem que não quero mais...
aquela gente sã e covarde
quero os loucos
os sem-razão
as locomotivas 
que maquinam as engrenagens
peito e braço
batendo forte
tum-tum-tum-tum-tum
quero o grito.
Quando o torpor chegar
o grito que assuste
o torpor de cada dia
queimando as raízes 
profundas
onde corre a água
e lodo vira.
Quando o torpor chegar 
quero estar preparado
munido de ombros fortes 
para ambos os fardos.
Expirando, manifesto
cada ato.
Sensibilidade, conhecimento
E sabedoria, de fato.