domingo, 9 de janeiro de 2011

Quando o torpor chegar
avisem que fui dar uma volta
abrir um livro
gritar lá fora
descrever o grito
numa poesia qualquer. 
Quando o torpor chegar
e minhas costas arderem
avisem que quero braços abertos
e um ombro tanto abraço
com os tantos braços de um carinho
e o calor de um beijo
salgado às lágrimas 
do peito aberto...
...e estaremos vivos.
Quando o torpor chegar...
avisem que não quero mais...
aquela gente sã e covarde
quero os loucos
os sem-razão
as locomotivas 
que maquinam as engrenagens
peito e braço
batendo forte
tum-tum-tum-tum-tum
quero o grito.
Quando o torpor chegar
o grito que assuste
o torpor de cada dia
queimando as raízes 
profundas
onde corre a água
e lodo vira.
Quando o torpor chegar 
quero estar preparado
munido de ombros fortes 
para ambos os fardos.
Expirando, manifesto
cada ato.
Sensibilidade, conhecimento
E sabedoria, de fato.